a sujeita na solidão resolve ligar para o amigo que anda paquerando fielmente mas nada acontece,
tum tum tum trim
Alô
Alô Oi, quem é?
É a Suzana tudo bem José?
Tudo ótimo.
Mas e aí o quê que você anda fazendo?
Eu nada, hoje acordei meio tarde e fiquei cuidando do cachorro mas acabou que eu não fiz nada. E você?
Cara especialmente nada também, dormi um pouco depois fiz um sanduíche. É que eu estou meio sozinha aqui e tomei a liberdade de ligar para você. Bater um papo.
Ah tá só que eu estou saindo.
Ah legal.
Ponto.
Final da estória. Os homens são ocupados demais para as mulheres.
A mulher acorda ao lado do marido:
Oi Ana bom dia, hoje eu vou sair cedo pois o chefe me deixou numa função meio puxada.
Ah tá marido, tudo bem. Eu vou fazer seu sanduíche.
passa o dia ela ficou trabalhando na casa sozinha e deu tempo para ela criar uma cortina nova na parede, que o marido não percebeu.
Já tá bem escuro, teve o jornal das oito, das nove e enfim chega o marido, depois dela ter passado o dia inteiro calada olhando para o teto e os afazeres.
Oi amor, que bom que você chegou.
Oi querida estou super cansado prepara minha janta (pede educadamente).
Ela prepara.
Ele continua sem puxar um assunto ou conversar.
Então ela fala que bom que você chegou eu arrumei as cortinas e, (...)
antes que ela terminasse a frase.
Ele diz, é querida, eu estou meio cansado para conversas.
Ela se cala novamente.
O dia acabou.
Ele esqueceu de dizer umas palavras quaisquer, para que a solidão daquela pessoa fosse diminuísse.
Sabe o que acontece, no dia seguinte ele fará a mesma coisa.
Solidão é assim, quando ela implica com você e solta a te distrair do vento.
O diálogo 3 é uma pessoa que insiste em falar com o pai,
mas o pai continua ocupado.
O tempo passa.
Você continuará ocupado para seus familiares.
Eles entenderão o que vc quis dizer.
e depois não adianta mais reclamar.
Cada dia que trata uma pessoa com indiferença ela vai entender como um sinal de não.
E ouvir não por todo o momento é alucinadoramente insuportável.
Trocar pequenas palavras com pessoas não diminui seu profissionalismo.
O que você faz não é mais importante do quê um diálogo e atencão.
Quando você estiver do lado oposto saberá,
como é que dói a solidão.
sexta-feira, 24 de julho de 2009
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